sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A Lenda do Santuário

 
 
 
 

            Caros leitores!!! Depois de tanto tempo longe, e sem comentar final da Saga Ômega, sim fiquei preocupado! Continuo investindo e estudando o projeto o qual havia mencionado em uma ocasião visando trazer aos Srs. Sempre o melhor do entretenimento.
            Após assistir o filme “A lenda do Santuário” tive de voltar para a terra.
            Serei o mais justo o possível.
            No início o filme tenta ser “algo novo” conforme as próprias palavras do Mestre Kurumada, visando atrair um novo público, mais jovem e com outra visão do anime ao mesmo tempo em que presenteia os “Senpais”. Mas infelizmente, logo passa uma carência de informações justamente para esse público novo.
            O maior problema é que a marca registrada da série, anime e mangá fora alterado, para uma visão meio que infantilizada da Disney com uma pegada de Percy Jackson o que chegou, em algumas partes a descaracterizar a identidade da obra principalmente em um dos personagens sendo substituída para o humor com uma roupagem mais amistosa e até infantil visualmente. O filme não é ruim, mas possui altos e baixos exagerados. Os baixos chegando a irritar de tão incoerentes.
            A Lenda do Santuário é o primeiro longa-metragem em computação gráfica estrelado pelos heróis, buscando repetir o sucesso com UMA NOVA LEITURA e apresentar os personagens a uma nova geração de fãs apreciadores da cultura nipônica.
            O resultado possui potencial de sobra para cativar novos admiradores de Seiya, Saori e companhia, mas dificilmente será apreciado entre fãs antigos. Reconta a Saga do Santuário, mais precisamente a parte das 12 Casas do Zodíaco a mais conhecida aventura estrelada pelos defensores de Atena.
            Essa nova leitura possui um ritmo de videoclipe, sem explicações muito detalhadas, como um brainstorming com todas as informações necessárias: uma força maligna surge no reino mágico chamado Santuário pretendendo assassinar a reencarnação da mitológica deusa Atena, que é protegida por guerreiros poderosos que utilizam armaduras inspiradas em constelações. Um desses guerreiros é o cavaleiro Aioros, guardião de Sagitário, que descobre o plano e tenta salvar Atena, então ainda um bebê, mas ele é abatido pelos cavaleiros de Gêmeos e Capricórnio. Athena bebê é entregue ao rico empresário japonês Mitsumassa Kido que cria a menina; seleciona e treina cinco garotos para se tornarem cavaleiros e protegerem a deusa quando ela completar 16 anos. Os esperançosos de uma sessão nostalgia ficam com a impressão de que tudo é contado rápido demais e ao mesmo tempo esse novo público percebe que faltam detalhes. Quando o quinteto chega ao Santuário o ritmo cede e se alonga em momentos mais importantes necessitando saber algo a mais que somente os Senpais conhecem.
            Os principais desafios foram: levar as armaduras para o cinema, o que fora efetuado de forma magistral e para ninguém botar defeito e as necessárias mudanças em certos trechos da história necessário em todo tipo de adaptação visando sintetizar melhor a história e contá-la em pouco menos de uma hora e meia de filme. O problema é que essas adaptações trazem concessões frustrantes retirando a identidade da obra. O drama que sempre foi o combustível da mesma deu lugar a uma versão mais leve e de certa forma infantilizada da obra.
            Problemas com as adaptações e participações de personagens vão frustrar alguns fãs. Máscara da Morte fora totalmente descaracterizado. Sua personalidade sombria baseada no grande Beste Seller de Allan Poe: A Máscara da Morte Rubra acabou sendo substituída por um segmento musical aos moldes dos produzidos pela Disney terminando em um traumático e lamentável resultado fora de sintonia com o filme. Não iria estranhar se Máscara da Morte cantasse Let It Go. A batalha final também acabou sendo polêmica e decepcionante por fugir demais não só da história original como também do estilo até então consolidado da série. Milo ser substituído por uma mulher aos moldes da princesa Sônia da fase Ômega causa um forte desagrado.
            Lenda do Santuário possui um visual lindo, com modelos tridimensionais bem animados e detalhados, computação gráfica de ponta sendo um verdadeiro Show. As armaduras dos heróis ganharam ares tecnológicos, movem e se transformam, como se fossem robôs, e elmos que se fecham. Algo novo, muito bem feito, inexistente no mangá ou no anime e que chama muito bem a atenção. Só que nesse ponto a alegria dura pouco. As armaduras de alguns dos 12 cavaleiros de ouro ganharam estilos encorpados quando não desajeitados e espalhafatosos diferente de Seya e os demais com uma proposta mais leve, prática e dinâmica. A armadura de Touro possui tantos chifres que fica algo desnecessário visualmente retirando o impacto visual proposto. Não vou sequer comentar o visual da de Gêmeos que possuía o visual o qual mais gostava e acabou virando uma alegoria. Em contrapartida o visual meio que War Machine na de Aquário acabou sendo orgásmico ao ponto de ser considerada a mais bela visualmente.
            Os fãs brasileiros foram presenteados com uma dublagem impecável, característica do clássico, onde uma nota 10 é considerada pouco. Não dá para falar de Cavaleiros do Zodíaco sem citar a famosa e excelente dublagem brasileira desde a época da Rede Manchete. Lenda do Santuário preserva as principais vozes da trama incluindo Hermes Baroli como Seiya de Pégaso. Mauro Castro merece elogios à parte pela dublagem de Camus. Em uma palavra: Fantástica. Conseguiu com maestria representar o saudoso Valter Santos.
            A trilha sonora é MUITO FRACA e decepcionante. Gerando carência a obra.    
            Lenda do Santuário busca reinventar os Cavaleiros do Zodíaco e apresentá-los como algo tão divertido e empolgante para uma nova geração de fãs, mas as adaptações feitas para isso são sentidas e certamente vão desagradar aos mais nostálgicos e deixar os novos um pouco perdidos, embora o resultado final estar longe de ser ruim. O filme pode ser dividido em duas partes: antes das 12 Casas (o que acabou sendo a melhor parte) e 12 Casas que pode ser resumida a três lutas focadas somente no Seya. Hyoga e Camus foi rápido demais sem o calor humano de mestre e pupilo característico (fez falta), Ikki vs Shura foi doloroso de assistir. Afrodite entra e sai morto. O Mestre Ancião fez falta. Mas nada pode ser tão pior como o “Pesadelo na Casa de Câncer”.
            O filme deve ser encarado com mente aberta, sendo assim a chave para diversão. Creio que após os créditos os fãs mais conservadores hão de ficar empolgados em assistir uma nova batalha nesse estilo do que ser conivente com a produção.
Senpai = veterano
Nota final: 05 de 10